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Safra 2025/26 no Brasil: ENOS (El Niño-Oscilação Sul) em transição, clima mais volátil e a fitossanidade como vantagem competitiva

Navegando a volatilidade climática com decisões mais inteligentes em sanidade vegetal. Por: Lucas Stempkowski and Marisa Dalbosco

A entrada de 2026 consolida um cenário climático de transição que eleva a variabilidade do tempo e reduz a previsibilidade no Hemisfério Sul, com implicações diretas para produtividade, custos operacionais e, sobretudo, risco fitossanitário. Cenários que avaliam a La Niña fraca, instalada em outubro de 2025, tende a perder intensidade ao longo do verão, com retorno à neutralidade do ENOS por volta de março, um regime menos associado a padrões atmosféricos consistentes e mais propenso à alternância entre extremos localizados e períodos secos.   

Na prática, isso reduz a utilidade de leituras “binárias” (La Niña = um único padrão) e aumenta o peso de fatores regionais, como o Atlântico tropical e a dinâmica de frentes que costumam produzir distribuição mais heterogênea de chuva e janelas curtas de excesso/escassez, exatamente o tipo de volatilidade que afeta calendário, eficiência operacional e risco sanitário.  

Um “ano intermediário” muda a regra do jogo: menos padrão, mais janelas  

Os sinais sazonais para o verão (dez/25–fev/26) refletiram essa assimetria: a previsão indicou maior probabilidade de chuva abaixo do normal em grande parte do Nordeste e em áreas de RS, TO e PA, enquanto porções da Amazônia ocidental mostravam viés de chuva acima do normal; somado a isso, a tendência de temperaturas acima da média ganhou força em amplas áreas do centro-norte. Para a estratégia setorial, a leitura relevante não é apenas “onde chove mais ou menos”, mas como chove: em anos de ENOS fraco e em transição, o impacto econômico tende a vir do descasamento de janelas (plantio, pulverização e colheita) e de eventos curtos de estresse hídrico ou excesso de umidade em momentos críticos das culturas.  

Mesmo com maior volatilidade climática, a safra brasileira permanece em patamar alto. O 5º levantamento da Conab estimou 353,38 milhões de toneladas de grãos (crescimento de 0,3% sobre 2024/25), com soja em 177,99 milhões de toneladas (recorde) e milho total em 138,45 milhões de toneladas (queda de 1,9%). Para o milho, o ponto de sensibilidade é a 2ª safra: a janela de plantio e a chuva no outono tornam-se decisivas quando o clima opera por “pulsos” e não por um padrão contínuo.   

No café, o sinal é favorável: a Conab projeta 66,2 milhões de sacas beneficiadas em 2026, em ano de bienalidade positiva, apoiado por aumento de área em produção, produtividade e condições climáticas mais favoráveis no ciclo, somadas a boas práticas e tecnificação.  

Fitossanidade: quando o clima vira “multiplicador” de risco  

Em anos de transição do ENOS, a fitossanidade costuma concentrar grande parte do risco econômico porque doenças e pragas respondem à combinação de umidade, molhamento foliar e temperatura — fatores que, em um regime mais errático, surgem em “janelas” altamente favoráveis e localizadas.  

Nesse contexto, ganha centralidade a infraestrutura de diagnóstico e inteligência fitossanitária. Redes de monitoramento de doenças e a capilaridade de laboratórios credenciados sustentam a lógica de “detectar cedo para agir melhor”, reduzindo perdas e evitando aplicações tardias (mais caras e menos eficientes).  Em termos executivos, a mensagem é objetiva: em um ano de clima mais “fragmentado”, a sanidade tende a ficar mais heterogênea (“em manchas”); portanto, quem opera com monitoramento contínuo e gatilhos técnicos bem definidos toma decisões melhores, com menor desperdício e maior previsibilidade.  

Risco convertido em governança  

Para organizações orientadas a qualidade, conformidade e gestão de risco como os laboratório de diagnóstico fitossanitário, o cenário 2025/26 reforça três implicações práticas:  

  • A variabilidade climática aumenta a dispersão de qualidade e risco por origem, exigindo protocolos mais dinâmicos de verificação e rastreabilidade ao longo da cadeia, especialmente quando chuva e temperatura mudam rapidamente entre microrregiões.  
  • O risco fitossanitário se torna mais “granular” e sensível ao timing, elevando o valor de monitoramento e diagnóstico precoce para reduzir perdas e evitar escaladas de custo operacional e de defensivos em fase tardia.   

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Monitoramento de doenças de plantas em campo 

  • A adoção de ferramentas biológicas e manejo integrado avança como resposta estruturante: a CropLife Brasil reportou crescimento de 13% na adoção de bioinsumos na safra 2024/25 e crescimento médio anual de 22% nos últimos três anos, sinalizando expansão de práticas integradas (químico + biológico) e maior foco em resiliência. 

 

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Manejo de doenças em plantas 

Esse conjunto fortalece a necessidade de governança baseada em dados: clima (distribuição, não apenas acumulado), fenologia e sanidade compondo a tomada de decisão, com impacto direto em produtividade, qualidade e confiabilidade de entrega. Em um ano de transição, quem integra diagnóstico precoce, inteligência climática e manejo integrado (incluindo bioinsumos) tende a capturar vantagem competitiva, não por prever o clima, mas por reagir melhor à variabilidade que ele impõe.  

 

Sobre a Agronômica

A AGRONÔMICA é um laboratório líder em diagnóstico fitossanitário no Brasil, oferecendo soluções integradas que apoiam a tomada de decisão dos principais players do setor agrícola. Atuamos em todas as etapas da cadeia do agronegócio, com serviços que incluem a identificação de pragas regulamentadas e restritivas, por exigências nacionais e acordos internacionais; diagnóstico de doenças e identificação de microrganismos benéficos; análise de produtos biológicos e inoculantes; testes de eficácia e compatibilidade de defensivos químicos e biológicos, tanto em condições controladas quanto em campo; além de análises físico-químicas e microbiológicas. Todos esses serviços estão alinhados ao nosso compromisso com a sanidade vegetal, a sustentabilidade do setor e a promoção da segurança alimentar.

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