Minha impressão sobre o ICPP 2018 (Patrícia de Souza Teló)

10/08/2018


Patrícia, Valmir e Yuliet no Harvard Museum of Natural History, 24 Oxford Street, Cambridge, Massachusetts


Harvard Museum of Natural History, 24 Oxford Street, Cambridge, Massachusetts


Hynes Convention Center, Boston, Massachusetts, EUA, onde ocorreu o evento do ICPP 2018


"Cuias" de flores coloridas, o verde claro são plantas de batata-doce, em postes antigos de Boston, Massachusetts, EUA...


Diferente de muitas cidades dos EUA, Boston, Massachusetts, EUA, tem muita gente nas ruas, muitos restaurantes, igrejas, mercados, praças, linda, contagiante!

Já sinto saudades de Boston. Penso em tudo que vi e ouvi e me pergunto: - Como pode a participação em um congresso internacional influenciar tanto as nossas vidas? Tendemos a pensar que a resposta esteja vinculada à diversidade de assuntos abordados de um mesmo tema. Aspecto relevante, é claro, mas não exclusivo. O fato é que ao retornar para a rotina da minha vida, percebo quantos foram os elementos que contextualizaram esta fantástica experiência.

Como o começo é sempre um bom ponto de partida, não posso deixar de abordar a participação na sessão plenária de abertura. Devo dizer que este foi um momento dos quais, nos percebemos fazendo parte de algo maior, algo que extrapola as paredes do escritório, as bancadas dos laboratórios e as páginas da web.  Experienciamos a diversidade do mundo da ciência, dos intelectuais acadêmicos, empreendedores do agronegócio e estudantes que integraram um grupo acima de 2400 pessoas de 84 países.  Todos com o olhar voltado para o futuro.

Participar da abertura de um congresso internacional proferida por um pesquisador brasileiro inflamou meu orgulho e trouxe a sensação de que o nosso país foi colocado no lugar onde sempre deveria estar, entre os primeiros,  entre os países para o qual o mundo deveria voltar o seu olhar pelo potencial científico, econômico, natural,  mas acima de tudo, pelo potencial quase que exclusivo de produzir alimentos com a qualidade e na quantidade necessárias  para suprir uma demanda mundial crescente.

Ouvir pesquisadores entusiasmados com os seus resultados acadêmicos me motivaram a acreditar na diversidade de dons e talentos conferidos aos presentes. Não foram só os gráficos ou as tabelas científicas que me fascinaram. Não foram apenas os novos procedimentos para a classificação taxonômica de pragas, validação de métodos, ensino à distância ou as novas ferramentas moleculares que me desafiaram a ouvir atentamente e superar os desafios da língua. Foi o conjunto da ópera que me fez desejar uma participação mais efetiva e proveitosa. Foi a sensação de pertença ao mundo chamado “Plant Health in Global Economy” que me manteve em alerta.

A cada novo debate, uma nova ideia de como motivar e envolver a nossa equipe. A cada nova ferramenta apresentada, uma nova percepção de como fazer o ordinário do nosso trabalho de forma inovadora. Cada automação percebida, uma nova oportunidade de melhoria contínua.

As conversas descontraídas nos corredores, os cafezinhos coletivos em momentos oportunos e os jantares com os sabores do mundo, propiciaram novos contatos, novas redes, novas interfaces.

E o que dizer da oportunidade única de revisitar momentos da história da fitopatologia, como “A grande fome” na Irlanda entre 1845 e 1849, a imigração para a América  e conhecer as ameaças para o nosso café da manhã em uma sessão plenária realizada no Museu de História Natural da Universidade de Harvard, onde iniciou a fitopatologia nos EUA (leia detalhes em RELEMBRANDO ANTON DE BARY E SUA OBRA FITOPATOLÓGICA). Momento simplesmente inesquecível!

Como pode a participação em um congresso internacional influenciar tanto as nossas vidas? Em uma cidade como Boston? Pela beleza da arquitetura neoinglesa, pelas cuias de flores coloridas em postes antigos, pela segurança ao andar nas ruas, pela diversidade de imigrantes em busca de oportunidades de emprego, pela beleza das igrejas e por um encontro diário com o meu melhor amigo na Capela de São Francisco, no Hynes Convention Center.

A participação em um congresso internacional pode influenciar as nossas vidas, pela mudança de comportamento na direção da empresa, pelo desejo incontido de partilhar a experiência, pela vontade de propiciar esta mesma experiência, pela visão de futuro, e acima de tudo, pelo fortalecimento de novas convicções para o presente.

Ao Agronômica, o meu muito obrigada pela oportunidade concedida. À minha família, minha alegria. Ao meu sócio e à Yuliet, valeu a parceria!


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