O sucesso do cultivo de oliveiras começa com mudas sadias!

03/03/2021


O valor de uma muda de oliveira não pode ser medido apenas pela aparência.


Um pomar de oliveiras está condenado se iniciar com mudas infectadas por patógenos.

Por Camila Cristina Lage de Andrade & Patrícia de Souza Teló
 
A pujança da agricultura brasileira é resultado da combinação de diversos fatores, dentre os quais destacam-se:
          - A diversidade dos recursos naturais;
          - A extensão das áreas agricultáveis;
          - Os investimentos em pesquisa e;
          - O desenvolvimento de novas tecnologias.
 
Os resultados recordes e sucessivos da produção de grãos sãos os indicadores mais expressivos desta realidade. Mas a diversificação de culturas, bem como, a especialização de nichos com alta rentabilidade também contribuem para esta realidade. 
 
O cultivo de oliveiras (Olea europaea) no Brasil vem despontando nos últimos anos. Conforme dados publicados pelo Instituto Brasileiro de Olivicultura, IBRAOLIVA, estima-se uma produção de 900 toneladas de azeitonas na safra 20/21. O produto tão esperado pelo consumidor, o azeite de oliva, poderá chegar à marca de 90 mil litros do tipo extra virgem. Este resultado promoverá as marcas nacionais e continuará elevando o Brasil no ranking dos azeites internacionalmente premiados.
 
Os envolvidos no setor apontam, dentre os fatores geradores de incremento da produção,  para: o aumento da área de plantio, a frutificação de pomares novos, bem como, as condições climáticas favoráveis no ciclo de cultivo.
 
Para a expansão de áreas de cultivo com resultados de produtividade efetivos, a aquisição de mudas com garantias varietais e sanitárias é um dos aspectos fundamentais a considerar-se no momento do plantio.
 
Atualmente, o Brasil não possui um programa de certificação de mudas de oliveira, consequentemente, não há conhecimento do estado sanitário das plantas já cultivadas no país, mas estudos demonstram que a oliveira pode ser afetada por diversos patógenos, tais como vírus, bactérias e fitoplasmas (Costa, 2016; Schneider et al., 2020). A falta de análise de material propagativo, para a detecção e identificação destes patógenos, coloca em risco a cadeia produtiva da cultura.
 
Diante deste cenário, o Laboratório Agronômica estabeleceu um programa para detecção de um conjunto de importantes pragas da cultura. Protocolos foram desenvolvidos e validados (Oliveira, 2020) para a detecção:
 
VÍRUS
1. Arabis mosaic virus (ArMV)
2. Cherry leaf roll virus (CLRV)
3. Strawberry latent ringspot virus (SLRSV)
4. Cucumber mosaic virus (CMV)
5. Olive leaf yellowing associated virus (OLYaV) (Ruiz-García et al., 2020)
 
BACTÉRIAS E FITOPLASMAS
1. Pseudomonas savastanoi pv. savastanoi (Pss) (Tuberculose)
2. Xylella fastidiosa subsp. pauca (Xfp) (Síndrome de declínio rápido da oliveira) (Canale et al., 2017)
3. Fitoplasmas 
 
A partir da garantia de material propagativo livre de pragas poderemos contribuir com os produtores rurais e os viveiristas ao longo de todo o ano, especialmente no período que antecede a novos plantios.  Ou podemos contribuir com a avaliação fitossanitária de pomares já estabelecidos, a partir de ramos apicais coletados preferencialmente na primavera. A localização de alguma planta infectada é estratégico, pois estas pragas são transmissíveis. Eliminar possíveis plantas infectadas garante a sanidade das demais. O uso de técnicas sensíveis e específicas para a detecção das pragas supracitadas garante precisão e confiança nos resultados. 
 
O envio de materiais assintomáticos pode garantir a precocidade na tomada de ação, o planejamento adequado de técnicas de manejo e a garantia da sanidade do pomar. Entre em contato conosco (WhatsApp na página da web) e saiba o que o Agronômica pode fazer por você.
 
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Literatura citada
 
1. Canale, M. C.; Castilhos, R. V.; Lopes, J. R. S. & Brugnara, E. C. 2017. Bactéria Xylella fastidiosa detectada em oliveiras no sudeste brasileiro. Agropecuária Catarinense. 30:35–37 Disponível em: https://publicacoes.epagri.sc.gov.br/RAC/article/view/62.
 
2. Costa, A. R. 2016. Xylella fastidiosa: uma ameaça silenciosa. Disponível em: https://www.vidarural.pt/insights/xylella-fastidiosa-uma-ameaca-silenciosa/. [Acesso em: 3.mar.2021].
 
3. Oliveira, C. A. M. Desenvolvimento de metodologias de PCR em tempo real para detecção de vírus, bactérias e fitoplasmas em oliveira (Olea europaea L.). 2020. Dissertação (Mestrado em Fitotecnia) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Orientador: Edson Bertolini.
 
4. Ruiz-García, A. B.; Candresse, T.; Canales, C.; Morán, F.; Machado de Oliveira, C.; Bertolini, E. et al. 2020. Molecular Characterization of the Complete Coding Sequence of Olive Leaf Yellowing-Associated Virus. Plants. 9 Disponível em: http://dx.doi.org/10.3390/plants9101272.
 
5. Schneider, K.; van der Werf, W.; Cendoya, M.; Mourits, M.; Navas-Cortés, J. A.; Vicent, A. et al. 2020. Impact of Xylella fastidiosa subspecies pauca in European olives. Proc. Natl. Acad. Sci. U. S. A. 117:9250–9259 Disponível em: http://dx.doi.org/10.1073/pnas.1912206117.
 
 


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