BATATA-SEMENTE: Análises para atender as Normas para Produção e Comercialização
09/01/2021

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Figura 1. Extrato de tubérculos de batata sendo preparado para a análise molecular (RNA e DNA)


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Figura 2. Cone (+/- 1 g) é retirado da região do estolão, local de conexão à raiz da planta-mãe.


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Figura 3. Cones (+/- 1 g) de tecidos da região do estolão são analisados, pois, particularmente vírus, viróides e bactérias se concentram nesta região, rica em vasos, local de conexão do tubérculo à raiz da planta mãe.


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Figura 4. Macerado sendo transferido para microtubos para a análise molecular (RNA e DNA).


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Figura 5. Exame visual


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 Figura 6. Tubérculo com sintoma de Sarna Prateada (Helminthosporium solani)


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Figura 7. Amostras de batata-semente recebidas para diagnóstico fitossanitário


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Figura 8. Sub-amostras de batata-semente separadas pelo setor de triagem e encaminhadas aos diferentes setores para as respectivas análises.


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Figura 9. Visão parcial do Anexo I da Instrução Normativa 32/2012 (D.O.U. 21/11/2012) do MAPA, com os padrões fitossaniários para produção e comercialização de batata semente.


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Figura 10. Sarna comum (Streptomyces scabies e outras espécies). A infecção do tubérculo pode iniciar-se através de ferimentos ou lenticelas. Inicialmente, verifica-se uma pequena elevação da cutícula que ao intensificar-se torna a superfície áspera e suberificada. As lesões têm de 5 a 10 mm e podem unir-se, possuindo coloração que varia de pardo-clara a escura. As lesões têm uma superfície irregular, podendo estar ligeiramente mais elevada que o tecido sadio, sintoma conhecido como sarna superficial, reticulada ou deprimida, que origina os sintomas da sarna profunda (AgroLink, 2021). Os sintomas de sarna são tipicamente evidentes na colheita e variam amplamente dependendo da variedade da batata e das condições ambientais durante o desenvolvimento do tubérculo (Hudelson, 2005).


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Figura 11. A epiderme do tubérculo é retirada, triturada em liquidificador e a suspensão peneirada é examinada ao microscópio, pois os nematoides estão nesta região.



A batata (Solanum tuberosum) é propagada clonalmente, através do que é chamado batata-semente (tubérculo-semente). A propagação clonal garante que as plantas propagadas cresçam e produzam tubérculos idênticos ao original. Pragas transmissíveis pelo tubérculo, incluindo vírus, viróides, bactérias e fitoplasmas, fungos, nematoides, insetos, podem causar prejuízos nas lavouras estabelecidas com tubérculos contendo tais pragas. Se um ou mais tubérculos estiverem infectados com uma destas pragas, muitas serão infectadas. Se as pragas não forem identificadas na batata-semente usando métodos de diagnóstico robustos para a eliminação subsequente de todas as unidades de propagação com teste positivo, os materiais de plantio infectados serão transferidos para o campo onde podem contribuir para surtos de doenças e pragas (Fuchs et al., 2021).


A Instrução Normativa MAPA 32/2012 (D.O.U. 21/11/2012) estabelece (Art. 1º) as normas para a produção e a comercialização de material de propagação de batata e os seus padrões, com validade em todo o território nacional, visando à garantia de sua identidade e qualidade . O  § 1º informa que os padrões de identidade e de qualidade para produção e comercialização de batata semente e de mudas de batata estão dispostos nos Anexos I e II, respectivamente, desta Instrução Normativa. O Agronômica está habilitado para as análises necessárias para atender esta legislação.


O controle de doenças é baseado na produção de tubérculos-semente livres de patógenos (bactérias, fungos, nematóides, oomicetos, vírus, viróides…) oriundos inicialmente de material axênico (esterilizado). A contaminação do tubérculo é um risco constante, com o patógeno podendo se localizar superficialmente, nas lenticelas, nos olhos, ou no interior do tubérculo. Por isso é importante detectar e eliminar lotes com infecção latente precocemente no processo de multiplicação de tubérculos-semente. Para entender a dificuldade desta tarefa, inicialmente devemos saber exatamente o que é um tubérculo (Duarte, 2007).


O que é um tubérculo?


O tubérculo é considerado, botanicamente, um caule volumoso, que surge da modificação (expansão radial) do estolão – também considerado um caule, subterrâneo. Quando colocado no solo, não emite raízes, mas gemas axilares – brotos. Um caule tem nós e entrenós. Os nós são os locais de onde surgem as folhas. Os entrenós são os locais entre os nós. Portanto, os “olhos” do tubérculo são nós de um caule modificado (Duarte, 2007).


O tubérculo possui uma estrutura característica de caules: as lenticelas, que permitem a entrada do ar, mas onde também se alojam patógenos, particularmente bactérias. Outro local importante é a região de conexão do tubérculo ao estolão (cordão umbilical). Esta região é rica em vasos, onde podem se localizar vários patógenos (Duarte, 2007).


O termo “tubérculo-semente” está relacionado a sua utilização na propagação vegetativa, pois as sementes verdadeiras são produzidas pelas flores, na parte aérea (Duarte, 2007).


Abaixo estão os padrões para as doenças e pragas que fazem parte das análises oferecidas pelo laboratório:


Os PADRÕES DE IDENTIDADE E DE QUALIDADE PARA A PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE BATATA-SEMENTE estão no anexo I, parcialmente ilustrado a cima (Figura 9) (apenas qualidade fitiossanitária, por isso inicia com o item "B")


B. Vistoria de Tubérculos (2) 

 B.1. Pragas 

  B.1.1. Índice de Severidade (3)


       Rizoctoniose (Rhizoctonia solani)

       Sarna comum (Streptomyces spp.)  (sintoma da sarna) (4) 


       Sarna Prateada (Helminthosporium solani ) (Figura 6)


       Sarna pulverulenta (Spongospora subterranea)


       Olho Pardo (Cylindrocladium spp.)


    B.1.2. Incidência da praga (% máxima)


       Murcha bacteriana (Ralstonia solanacearum)


       Podridão mole (Pectobacterium spp. (4); Dickeya spp. (4)) (sintomas em tubérculos)


       Olho preto (Fusarium solani f.sp. eumartii = Haematonectria haematococca)


       Requeima no tubérculo (Phytophthora infestans)


       Podridão seca (Fusarium spp.) (4) (sintomas)


       Pinta-preta (Altenaria solani e A. alternata)


       Nematoides de galha (Meloidogyne spp.) (4) (Ver espécimes: links (1) (2))


       Nematoides das lesões (Pratylenchus spp.) (4)


       Pulgões (Afídeos)


   B.3. - DANOS CAUSADOS POR INSETOS (% do nº de tubérculos atacados)


       Traça (Phthorimaea operculella)


       Danos causados por outros insetos


B.4. - DEFEITOS FISIOLÓGICOS


Coração-oco da batata (sintoma)


...


C. Análises em Laboratório (6)


       Vírus: PVX, PVY, PLRV, PVS   


       Nematoides e demais pragas, previstas nos quadros B.1.1 e B.1.2


     "1. Isolamento topográfico: Campo destinado à produção de batata semente categoria básica deve ser instalado em nível superior do terreno." 


     2. Os resultados das vistorias de tubérculos serão emitidos em Laudo de Vistoria de Tubérculos (Anexo XI desta Instrução Normativa). 


     3. Índice de Severidade da Doença 


     4. Exceto para pragas quarentenárias ausentes 


     5. Identificação visual 


     6. Os resultados da análise de laboratório em tubérculos ou folhas serão informados no Boletim de Análise de Material de Propagação de Batata (Anexo XII desta Instrução Normativa).


Bactérias: Dickeya sp., Pectobacterium sp., Ralstonia solanacearum (colônias bacterianas), Streptomyces spp. (sintoma da sarna)


Fungos: Alternaria solani, Cylindrocladium spp., Fusarium spp., Helminthosporium solani, Rhizoctonia solani


Insetos: Pulgões, qualquer outro


Nematoides: Meloidogyne spp., Pratylenchus spp. 


Oomicetos: Phytophthora infestans


Protozoário: Spongospora subterranea (Nazareno & Boschetto, 2002; Bostic, 2012; Instituto Biológico, 2016; Spongospora subterranea [Overview], 2021; Falloon et al., 1996)


Vírus: Potato leafroll virus, Potato virus S, Potato virus X, Potato virus Y


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Se você produz, vende ou planta tubérculos-semente, o Agronômica pode ajudá-lo a confirmar que os tubérculos estão livres de pragas. Entre em contato conosco (WhatsApp no site).


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Literatura consultada


AgroLink. 2021. Sarna comum. AgroLink. Disponível em: https://www.agrolink.com.br/problemas/sarna-comum_2962.html. [Acesso em: 11.jan.2021].


Bostic, L. 2012. Spongospora subterranea. Disponível em: https://projects.ncsu.edu/cals/course/pp728/Spongospora/Spongospora_subterranea.htm. [Acesso em: 7.jan.2021].


Cardoza, Y. F.; Gomes, P. S. C. F.; Duarte, V. Colônias de Ralstonia solanacearum. Disponível em: http://www.agronomicabr.com.br/agriporticus/detalhe.aspx?id=760. Acesso em: 09 jan.2021.


Duarte, V. 2007. A complexidade da obtenção de tubérculos-semente livres de patógenos. Associação Brasileira de Batata. Disponível em: http://www.abbabatatabrasileira.com.br/site/materias-das-revistas/a-complexidade-da-obtencao-de-tuberculos-semente-livres-de-patogenos/. [Acesso em: 12.jan.2021].


Falloon, R. E.; Wallace, A. R.; Braithwaite, M.; Genet, R. A.; Nott, H. M.; Fletcher, J. D. et al. 1996. Assessment of seed tuber, in-furrow, and foliar chemical treatments for control of powdery scab (Spongospora subterranea f.sp. subterranea) of potato. N. Z. J. Crop Hortic. Sci. 24:341–353 Disponível em: https://doi.org/10.1080/01140671.1996.9513971.


Fuchs, M.; Almeyda, C. V.; Al Rwahnih, M.; Atallah, S. S.; Cieniewicz, E. J.; Farrar, K. et al. 2021. Economic Studies Reinforce Efforts to Safeguard Specialty Crops in the United States. Plant Dis. 105:14–26 Disponível em: http://dx.doi.org/10.1094/PDIS-05-20-1061-FE.


Hudelson, B. 2005. Potato Scab. UW-Madison Plant Pathology. Disponível em: https://hort.extension.wisc.edu/articles/potato-scab/. [Acesso em: 11.jan.2021].


Instituto Biológico. 2016. Guia de Sanidade Vegetal - Versão: 1.0. Instituto Biológico. Disponível em: http://www.sica.bio.br/guiabiologico/busca_culturas_resultado_ok.php?Id=90&Vlt=3. [Acesso em: 7.jan.2021].


Nazareno, N. R. X. D. E. & Boschetto, N. 2002. Seed-tuber transmission of Spongospora subterranea. Fitopatol. Bras. 27:224–224 Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-41582002000200019&script=sci_arttext. [Acesso em: 7.jan.2021].


Spongospora subterranea [Overview]. Disponível em: https://gd.eppo.int/taxon/SPONSU. [Acesso em: 7.jan.2021].


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How to cite: Duarte, V. BATATA SEMENTE: Análises para atender as Normas para Produção e Comercialização. Agriporticus. Disponível em: http://www.agronomicabr.com.br/agriporticus/detalhe.aspx?id=939. Acesso em: 09 jan.2021 (Atualize a data de acesso.)

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