Cercospora zeae-maydis or C. zeina?
24/06/2020

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Figura 1. Lesões irregulares paralelas às nervuras observadas nas folhas de milho, extremidades retangulares, atingindo dois a cinco centímetros de comprimento por até 1 cm de largura, coloração palha.


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Figura 2. Esporodóquios, conjunto de conidióforos soldados na base, em fascículos, com coloração olivácea a marrom, coloridos com Azul de Amann, visualizados sob microscópio óptico; (B) Conidióforos emergindo dos estômatos. Imagem: Braun et al. (2015) (doi:10.5598/imafungus.2015.06.01.03).


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Figura 3. Conídios obclavados-sub-cilíndricos ou fusiformes, 30–100 × 4–9 μm, 1-10 septos, hialinos, com paredes finas, lisos, ápices obtusos, base truncada, hilo pouco espesso e escurecido sob microscópio óptico.



Folhas de milho, Patos de Minas, MG, com sintomas de cercosporiose foram recebidas na última semana de maio para identificação da espécie, visto que as aplicações de fungicidas não estavam sendo eficientes, mesmo com dose dupla. O mesmo problema já havia sido constatado em 2019. O objetivo foi confirmar se era cercosporiose e se tratava de Cercospra zeina ou C. zeae-maydis. A principal diferença entre as duas espécies são (1) a forma dos conídios, (2) tamanho dos conidióforos e (3) a forma de exteriorização dos esporodóquios (Braun et al., 2015). Na amostra recebida, os conídios eram obclavados, cilíndricos, com dimensões variando de 58 a 82 x 5,5 a 7 μm, e os conidióforos longos medindo 120 μm e emergindo dos estômatos. Os resultados indicaram tratar-se de C. zeae-maydis.

A mancha cinzenta do milho (cercosporiose)  caracteriza-se por manchas foliares de coloração cinza, longas ou irregulares, paralelas as nervuras apresentando bordo marrom. Com o desenvolvimento da doença pode ocorrer necrose do tecido foliar. Este fungo produz uma toxina, denominada de cercosporina, que aumenta a sua virulência nas plantas. Sobrevive em restos vegetais e pode causar perdas superiores a 80% na produção.

A cercosporiose do milho (C. zeae-maydis) se espalhou por todo o mundo e hoje é, seguramente, a doença foliar mais importante desta cultura. Também conhecida por mancha cinza da folha do milho (gray leaf spot of corn), ela foi descrita pela primeira vez em 1924, por Tehon e Daniels, no estado norte-americano de Illinois. Entre as décadas de 1940 e 1970 a doença se expandiu geograficamente atingindo vários estados americanos, tornando-se a mais destrutiva doença foliar do milho nos Estados Unidos (Brandão, 2020).

Referências

Brandão, A. M. Syngenta. Diagnóstico e soluções para a Cercosporiose do milho. Jornal Dia de Campo. Disponível em:<http://www.diadecampo.com.br/zpublisher/materias/Materia.asp?id=20747&secao=Sanidade%20Vegetal>. Acesso em: 24 jun.2020.

Braun, U., Crous, P. W., & Nakashima, C. (2015). Cercosporoid fungi (Mycosphaerellaceae) 3. Species on monocots (Poaceae, true grasses). IMA Fungus 6(1): 25–97 (2015). doi:10.5598/imafungus.2015.06.01.03.

Costa, R.V.; Casela, C. R.; Cota, L. V. Doenças Foliares. Agência Embrapa de Informação Tecnológica. Disponível em: https://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/milho/arvore/CONTAG01_32_168200511158.html. Acesso em: 22 junho 2020.

Crous, P. W., Groenewald, J. Z., Groenewald, M., Caldwell, P., Braun, U., & Harrington, T. C. (2006). Species of Cercospora associated with grey leaf spot of maize. Studies in Mycology, 55, 189–197. doi:10.3114/sim.55.1.189.

 Pinto, N. F. J. de A.; Angelis, B. de; Habe, M. H. Avaliação da eficiência de fungicidas no controle da cercosporiose (Cercospora zeae-maydis) na cultura do milho. Revista Brasileira de Milho e Sorgo, v.3, n.1, p.139-145, 2004

How to cite: Pereira, W. V.; Andrade, C. C. L.; Dalbosco, M. Cercospora zeae-maydis or C. zeina? Agriporticus. Disponível em: http://www.agronomicabr.com.br/agriporticus/detalhe.aspx?id=911. Acesso em: 24 jun.2020.

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